A maioria dos empresários imagina que um consultor chega com respostas. Eu chegaria com desconfiança.
Não porque você esteja mentindo — mas porque toda empresa cria uma versão oficial sobre si mesma: "nosso problema é venda", "a equipe não veste a camisa", "a margem é boa, o problema são as despesas".
Nas primeiras 48 horas, meu trabalho não seria mudar a empresa. Seria descobrir qual empresa realmente existe por trás da narrativa de quem a administra.
Uma empresa que não consegue explicar com clareza como vende, entrega, recebe, decide e aprende não tem só um problema de gestão — tem um problema de cognição. Ela opera, mas não compreende a própria operação.
E nenhuma empresa toma decisões melhores do que a qualidade da realidade que consegue enxergar. Por isso, ao final de 48 horas, você não sairia com um relatório de gaveta. Sairia com cinco mapas:
Começo ouvindo o empresário — não só pra entender o negócio, mas pra ver como ele interpreta o próprio negócio. Eu perguntaria:
Aqui eu não busco conclusões — coleto hipóteses.
Antes de cultura ou organograma, eu responderia: o que esta empresa vende, pra quem, com qual margem e consumindo quanta estrutura? Separo a receita por:
O objetivo não é só o que mais vende, mas o que gera margem, o que gera caixa, o que ocupa capacidade, o que aumenta complexidade — e o que parece crescimento mas destrói resultado.
Ter número não é enxergar a empresa. Antes de usar qualquer relatório, eu confiro se ele merece confiança. Comparo:
Um dashboard pode estar lindo e representar uma operação que não existe.
Pego algumas vendas reais e acompanho o caminho inteiro: contato → orçamento → pedido → separação → entrega → faturamento → recebimento. Observo onde:
Toda empresa tem dois processos: o oficial e o que as pessoas criaram pra conseguir trabalhar. É nessa diferença que aparecem:
No fim do primeiro dia, eu já consigo responder: como o dinheiro entra? Onde a margem nasce? Onde o caixa fica preso? Quais processos falham? Quais informações não são confiáveis? Quais decisões dependem do dono?
Analiso o sistema de decisão: quem decide compras, preços e descontos? Quem acompanha inadimplência e estoque parado? Quem percebe que uma meta não vai bater? Quais decisões sempre chegam ao dono — e com que frequência?
Depois da liderança, ouço quem opera — não pra achar culpado, mas pra ver o que o organograma esconde:
Reúno números, processos, decisões e relatos pra achar a única restrição que mais limita o crescimento. Pode ser falta de demanda, baixa conversão, margem insuficiente, estoque mal dimensionado, capital de giro, dependência do dono, ausência de informação confiável…
Transformo cada problema em impacto financeiro: quanto custa o estoque parado, o retrabalho, o atraso na entrega, o desconto mal dado, a inadimplência, a baixa conversão, a centralização no dono?
Não entrego cinquenta recomendações. Organizo em três camadas:
Consolido tudo num mapa simples — não numa apresentação de cinquenta slides. Cada prioridade sai com:
Você sairia sabendo onde ganha dinheiro de verdade, onde perde margem e caixa, qual processo mais gera retrabalho, quais números não confiar, qual restrição te limita e o que fazer primeiro.
Isso é só o que eu faria pra enxergar. Resolver cada ponto é o trabalho de um ano.
Antes de mudar pessoas, sistemas ou estratégia, eu tornaria a sua empresa legível. É por aí que tudo começa.
Me conta o básico e eu te retorno pessoalmente com o próximo passo.